a idade do tempo, como se eu pudesse ser feliz sem ele
ou para quais doenças eu descobrirei as curas
o desespero de mim que sou atemporal e contemporâneo
café forte e sem sono, tão acordado quanto os fogos de artifício no ano novo
não conheço a força do desabar dos edifícios sob o abismo fulminante que morre antes que se chegue ao fim
os corpos em constante desabar sob o abismo culminante dos que morrem antes do fim
nem quanto queima o arder da chama de um fósforo
conheço a velocidade da luz
confio que “there is no other troy”
e não faço planos de aterrorizar alguma cidade povoada na escuridão acima dos postes da avenida da cidade
ou deslizar na indagação da escuridão total da lua nova e suas estrelas solitárias sumindo enquanto conversam com deus e não é segredo que os “inaceitos” clandestinos que querem atenção por se sentirem solitários em suas casas, sempre em busca de bares, diferentes de mim sempre em busca de deus, dentro de estranhas mazelas corpóreas que não posso negar mas não confio tão sujo como um cu a esta hora da noite
e aquelas “motocicletas que sempre querem” atenção, agora são naves não tripuladas voando baixo em quem você é e bombardeando seus ouvidos quando o sono enfim chegou:
-ela não te ama mais!
gritou a tv na hora do corujão.
acreditando que de manhã, amanhã de manhã se está mais próximo de não haver amanhã
os explosivos guardados na cozinha e velhos tarados e mentirosos sentados à mesa numa excitação de verbalizar caricaturas dos passados e atrocidades:
“go.zar”
verbo transitivo direto
1. usar ou possuir (coisa útil ou aprazível).
2. aproveitar, desfrutar.
3. sentir prazer ou satisfação.
4. atingir o orgasmo.
mas nem sabemos se seremos velhos
por que isso foi suscitado?
eles sempre reclamando da água fria, da cama fria, da roupa fria, do frio
os pratos sujos dormindo sobre as pias
abandonados loucos e perversos moralistas que na praça se ajuntam especulando quão triste foram suas miseráveis alegrias
eu não sonhei!
não ouço mais sobre o quarto minguante da lua e os cabelos que crescerão lentamente sobre suas cabeças
não mais disparates sobre as diferenças e de como é se sentir só ou morrer de saudades todo mijado num leito imundo após o súbito eletrochoque do fundo da alma e os espíritos maus que mal podiam descansar eternamente e bebendo poções mágicas que curavam o mal humor pós sessões de muitas luas de trepanação por meio da virtuose da ciência mesopotâmica do século XV
ali não existe amor que as hemorragias intermináveis não possam curar
existe alguém ali fora que o trem cortou as pernas e continuou a seguir seu mórbido deslizar sob os trilhos
e quantas maldições e malfazejos já foram ditos
e agora, o que fazem os insones canibais de nossos tempos em seus escritórios sombrios sem ar condicionado, condicionados a cumprir toda a maldade que lhe fora prometida quando a pólvora virou fumaça e suas repartições fétidas amarelas como enxofre que se compra nas farmácias, cheias de mortes
“sinta meu coração se sentir culpado”
oh vida com seus esplendores, vigiai os teus filhos, que agora não se lembram de ti, com suas vaidades, seus “way of life” que envergonham os magistrados em tu, vida, que agora se consomem procurando a fonte de águas inesgotáveis
alguns podem ver
alguns podem ter
alguns podem ser
alguns podem poder
não há vergonha na cama
sozinhos em suas casas com janelas fechadas, sempre com uma luz acesa, supondo que as luzes afugentem todas as mortes que ainda estão por vir
alguém um mesmo alguém, sempre passa em frente a sua casa
enquanto acreditam que isso vai ser diferente, um dia
e entendo o quase a que se referem os doutores que escrevam regras e ditaram melancolia em tardes de sábado de sol forte por entre janelas repletas de medo, que se fechavam sempre às três horas da tarde, pois o sol também incomodava a TV ligada.
Esse texto é dedicado a todos os nossos amigos que já se foram dessa brincadeira de viver, enquanto desfrutavam de uma felicidade qualquer.
"De nihilo nihil"

