Ads 468x60px

Featured Posts Coolbthemes

31/01/2012

Heroina

a idade do tempo, como se eu pudesse ser feliz sem ele para agora te dizer

ou para quais doenças eu descobrirei as curas

o desespero de mim que sou atemporal e contemporâneo

café forte e sem sono, tão acordado quanto os fogos de artifício no ano novo

não conheço a força do desabar dos edifícios sob o abismo fulminante que morre antes que se chegue ao fim

os corpos em constante desabar sob o abismo culminante dos que morrem antes do fim

nem quanto queima o arder da chama de um fósforo

conheço a velocidade da luz

confio que “there is no other troy”

e não faço planos de aterrorizar alguma cidade povoada na escuridão acima dos postes da avenida da cidade

ou deslizar na indagação da escuridão total da lua nova e suas estrelas solitárias sumindo enquanto conversam com deus e não é segredo que os “inaceitos” clandestinos que querem atenção por se sentirem solitários em suas casas, sempre em busca de bares, diferentes de mim sempre em busca de deus, dentro de estranhas mazelas corpóreas que não posso negar mas não confio tão sujo como um cu a esta hora da noite

e aquelas “motocicletas que sempre querem” atenção, agora são naves não tripuladas voando baixo em quem você é e bombardeando seus ouvidos quando o sono enfim chegou:

-ela não te ama mais!

gritou a tv na hora do corujão.

acreditando que de manhã, amanhã de manhã se está mais próximo de não haver amanhã

os explosivos guardados na cozinha e velhos tarados e mentirosos sentados à mesa numa excitação de verbalizar caricaturas dos passados e atrocidades:

“go.zar”
verbo transitivo direto
1. usar ou possuir (coisa útil ou aprazível).
2. aproveitar, desfrutar.
3. sentir prazer ou satisfação.
4. atingir o orgasmo.

mas nem sabemos se seremos velhos

por que isso foi suscitado?

eles sempre reclamando da água fria, da cama fria, da roupa fria, do frio

os pratos sujos dormindo sobre as pias

abandonados loucos e perversos moralistas que na praça se ajuntam especulando quão triste foram suas miseráveis alegrias

eu não sonhei!

não ouço mais sobre o quarto minguante da lua e os cabelos que crescerão lentamente sobre suas cabeças

não mais disparates sobre as diferenças e de como é se sentir só ou morrer de saudades todo mijado num leito imundo após o súbito eletrochoque do fundo da alma e os espíritos maus que mal podiam descansar eternamente e bebendo poções mágicas que curavam o mal humor pós sessões de muitas luas de trepanação por meio da virtuose da ciência mesopotâmica do século XV

ali não existe amor que as hemorragias intermináveis não possam curar

existe alguém ali fora que o trem cortou as pernas e continuou a seguir seu mórbido deslizar sob os trilhos

e quantas maldições e malfazejos já foram ditos

e agora, o que fazem os insones canibais de nossos tempos em seus escritórios sombrios sem ar condicionado, condicionados a cumprir toda a maldade que lhe fora prometida quando a pólvora virou fumaça e suas repartições fétidas amarelas como enxofre que se compra nas farmácias, cheias de mortes

“sinta meu coração se sentir culpado”

oh vida com seus esplendores, vigiai os teus filhos, que agora não se lembram de ti, com suas vaidades, seus “way of life” que envergonham os magistrados em tu, vida, que agora se consomem procurando a fonte de águas inesgotáveis

alguns podem ver

alguns podem ter

alguns podem ser

alguns podem poder

não há vergonha na cama

sozinhos em suas casas com janelas fechadas, sempre com uma luz acesa, supondo que as luzes afugentem todas as mortes que ainda estão por vir

alguém um mesmo alguém, sempre passa em frente a sua casa

enquanto acreditam que isso vai ser diferente, um dia

e entendo o quase a que se referem os doutores que escrevam regras e ditaram melancolia em tardes de sábado de sol forte por entre janelas repletas de medo, que se fechavam sempre às três horas da tarde, pois o sol também incomodava a TV ligada.


Esse texto é dedicado a todos os nossos amigos que já se foram dessa brincadeira de viver, enquanto desfrutavam de uma felicidade qualquer.

"De nihilo nihil"

Continue Lendo >>

18/01/2012

No picadeiro

Hoje tem circo!
hoje tem espetáculo!
gritou – me entre orelhas
não tinha eu um palavrão pronto
e sentada no sofá me olhava com seu sorriso molhado
como me apertava
como eu sentia
como eu crescia
e tendo nos meus olhos o seu olhar
me bestificava de tanta doçura
a mulher que nascia novamente a cada segundo
“me teria” agora dentro dela
todo o tesão que existia no mundo
para que as mangas na mangueira de meu quintal
caiam em abrupta solidão
o mundo se parta nos ruídos terríveis do céu de Curitiba, Georgetown, Atlanta ou Kiev, quiçá na minha Lajedão
ou Anápolis, se tiver sorte.
meu tempo tem dona
para tudo eu estou invisível
guardei terrores e terríveis prazeres para minha boca que saliva no meio das pernas dela.
Continue Lendo >>

05/01/2012

Terapia de "um" preconceito


Dedicado a todos aqueles que acham que poesia é coisa de "viado".


(...)
de ser rato
sob o chão podre
de poeira
de restos
imundícies
nada a esperar dos ladrilhos
não encontro – me
desde que as telhas sumiram
e as paredes dão medo
mas eu não desisto
e olho pelo vão das janelas
para o escuro
e olho para trás quando tenho medo
do escuro
para ter certeza de que estou sendo assombrando
mas aperto o passo
arrepio
e olho para baixo
como se do chão não viessem os males
já larguei minhas cervejas congelando na geladeira
por uma única preguiça de ficar bêbado
tenho telefone
mas ele não toca
ligo para o “hora certa”
pois meu telefone se sente solitário
assim como os livros
que leio sem vontade
para que suas páginas possam respirar meu ar puro
no final da rua sempre tropeço na mesma pedra há quase 5 anos
hoje não sinto mais tanta dor como sentia antes
numas revistas no consultório dos loucos
falam da salvação do mundo
na tv o mundo foi salvo
nos bares o mundo não tem salvação
eu vi prostitutas com seu liberalismo e censura
todas infelizes contando seu dinheiro
e a fúria e os cigarros do “Paraguai” nos dedos
das cafetinas feias e velhas
paquerando os célebres que bebem no balcão
imoralidade controlado por alvarás da vigilância sanitária
“afinal puta também tem direito”
nada mais justo
eu só queria um café
talvez uma fatia de bolo
“a fome faz coisa, gente!” Já dizia Seu Ari
mas ainda é maio,
falta muito para as campanhas de natal
mês que vêm vem o inverno
não quero ouvir sobre as verdades
poesia também aprisionou
- viados foram mortos, também
ambos deitados
cada um num tempo e lugar,
sob o chão molhado de urina
e pegadas de solas de sapatos
não tão caros assim
o sol não consegue entrar
a casa não é arejada
e nem sabem do que precisam
os loucos,
jornais,
catapultas imersas na putaria da noite
levitando as ínfimas miríades das garrafas de cerveja
os gritos de dor e dor
mas a ponte é mesmo bela
eu que chato não gosto do sorriso com seus dentes amarelos da garota que me sorri
“ela nunca ganhou nem perdeu” – sinceramente?
e vômito em minhas botas
“quem nunca esteve dentro dela?” – por alusão?
Estava envolta das mais lindas poesias e dos cantos ingênuos sob harpas falsas douradas
quando andava o mundo ficava cego,
morrer...
morrer...
amar...
morrer...
- quando se deve chorar?
“existem anjos deitados, dormindo nas nuvens” – quando se deve olhar pra cima?
- não chore quando vencer! Não há dor nas vitórias!
entender
entender...
e o anjo sob sua mesa?
- ganhei de minha esposa!
os sinais ali no céu, pelas frestas da persiana
juro que vi um deus de águas no céu
- é firme? Consistente?
você fechou a persiana!
poesia meus amigos
- poesia?
veados?
viados?
- quem escrevera isso?
- quem lera isso?
certamente viados
“veados são bichos silvestres, das matas. Não escrevem nem lêem!
poesia caríssimos
poesia
- quem se importa?
- quem lê? viados?
- as prostitutas citadas neste?
quem tem medo de poesia, se viados a figuram nos livros e num chumaços de papéis e bucetas.
- bucetas? não eram viados?
- ou seriam “os melhores” que os demais, que talvez não sejam viados, mas não põem suas dores num papel.
quando guardada, falta vontade para conhecer
a poesia
viados poetas
poetas viados
a depender da forma como vista.
- afirmas que todos diferentes, são diferentes em atestado?
existem muitas lutas, nenhuma pela poesia
algumas pelos viados. muitas!
quando “lê” te preocupas com viados, prostitutas, santos, demônios, ou anjos mortos que despencam do telhado todas as noites, exceto quando chove, à noite. te preocupas?
“poesia” mas poderíamos chama – la de resistência
o mundo é cheio de mazelas
a poesia é o pára-quedas,
sabe – se que se abre
só não sabe – se onde cai!
preconceitos são justos
quem gosta do poeta?
quem gosta do viado?
“a poesia ode matar” – disso nunca duvide!
é justo chamar o poeta de viado
injusto é chamar um viado de poeta
ele pode ser ofender, poucos são aqueles que gostam de se sujar, ou de nadar num rio poluído
ou de cair de pé na vida ao redor
ser poeta pode ofender mais que ser viado
infeliz do poeta que se sentir poeta
e do viado que aceitar ser viado.
Continue Lendo >>

04/01/2012

Última impressão

e não é dor
nem tristeza
o que as velhinhas sentem
sentadas nas suas portas
conversando
e relembrando os tempos de juventude e beleza
ou com suas agulhas de crochê
e o novelo de lã azul


azul é a cor da velhice?

azul faz bem aos velhos?

azul,
como no céu
e faíscas no fogão a gás
e as janelas velhas de minha casa
e minha caneca de café com leite

e no fim as dores e suas desgraças parecem ter alguma tonalidade de azul
que sente e dói no fundo da retina dos olhos castanhos
ou na cadeira do dentista
o medo de ser autopsiado e suas vísceras vendidas
a qualquer cachorro ou urubus vigiando dos céus,
azuis,
Roberto Carlos no fim de ano, especial e azul
ponte de cidade pequena para outra cidade pequena, azul
a esferográfica sob a pauta
carne estragada fora da geladeira
tristeza, se falarmos inglês
refil do inseticida elétrico
meninos, rapazes, homens e velhos
outra vez idosos com suas mantas azuis

não funciona, mas você acredita
e escolas em ruínas com suas janelas e portas azuis e cadeados, dourados,

o último dos espetáculos cintilantes da aurora boreal das cabeças malditas de Lajedão
notas de cem, noutro tom, azul
dizem “agüenta aí, já estou chegando”
pulando seus muros altos podres de água de chuva, água azul e chuva azul, no livros é, azul,
nos desenhos também
quebrando, se é que se quebra, os “havaianas” quando se queria correr
o rádio tocando música barulhenta, “agüenta aí, já estou quase”
aulas de idiomas estranhos que assustam os velhos, e velhos ainda não tão velhos assim.

azul, como na fila do velhos que não tem dignidade, sentados ou em pé, esperando sua vez,
seus papéis, azuis,
azulejo de banheiros velhos, azuis,
ninguém que venha do azul dos céus cinzas, dessa época do ano
não vi as cores das estrelas, brancas,
nos livros são amarelas,
nos desenhos também

e a primeira impressão é que o azul tão velho, que nem os velhos conhecem o nascimento do azul,
ou dos céus, azuis,
por fim
Continue Lendo >>

16/12/2011

Is a naked

como se nos dias de frio
o vício de suas mãos
se tornasse maior
enquanto agarrava meu peito
e seu cabelo
fazia cócegas
em minha boca
nas era março
fim de meu aniversário
fim de verão
ainda calor
o céu de telhado
e antenas mórbidas
povoando o vazio
que o concreto
tomara por moradia
de onde víamos
o horizonte quebrando
nas ondas do mar
eu tocava suas pernas
com a timidez de um
bêbado pedindo fiado
ou de um monge
aprendendo a viver
entre toda as pessoas,
segundos e minutos atrasados
e o lírio mal borrado
num mural a frente
e ela respirando forte
aquecendo meu pescoço
úmida de vontades saciadas
e vontades que voltariam
no arrepio de sua pele clara
no fundo dos olhos
beijava meu rosto
me deixava entrar
no cúmulo das tentações
no círculo perfeito
dos desejos que suas unhas
arranhando – me
podiam me provar
que eu era culpado
por suas respirações aceleradas
eu, cedendo, respirava ofegante
aos seus beijos
suas unhas niqueladas e rubras
e minhas costas marcadas
já estávamos mais altos
que o quarto que transcendia
de perfumes e barulhos,
nossas vontades atendidas
e amanhã não iríamos embora
a cidade era toda nossa
e a lua envergonhada
aparecia em pedaços
e teve cuidado
quando me viu
longe, na imaginação
que criávamos
e de dentro do fundo
donde voltávamos a renascer
naufragando lúcidos
sob a água quente
do chuveiro elétrico
que molhava e escorria
em seu corpo brilhante,
“Is a naked”,
quase não me olhava
somente sentia – me
no espaço aflito
que meu corpo ocupara
desde que me agarrei
em seus dedos
e cravado em suas unhas
estava eu pronto
pra existir
só para
o seu coração pequeno
onde “encaverno”
meus dias de sede
angústia e saudade.
Continue Lendo >>

A voz sem voz (trecho)

(...) quase todo domingo era assim
os velhos sem sonhos, adormecidos escorados
na parede dos bares
enquanto alguém acertava todas as dezenas do bingo
e a praça se dissipava solitária e barulhenta
enquanto os bons questionavam a sorte daquele infeliz (...)
Continue Lendo >>

25/09/2011

De um espírito


Pois a noite caia densa e escura

o vento lá de fora

com sua camisa amassada

gritava em timbres agudos

seu oráculo de mentira

para dias que não se findam

e eu que não tenho mais razão

ouço calado, enquanto tremo,

ao lado do sofá com seus abajures dormentes

iluminando sem que exista um motivo

e correndo depressa,

a agonia pula outro muro

noutro quintal apavora

as árvores e os varais

até chegar à porta da cozinha

se servindo de café quente

rindo e cambaleando de cinismo

montada em cem mil cavalos

descendo ladeira a baixo

na escuridão de seus banheiros

com 100 mil rostos refletidos

na pintura mofada em azul e vermelho

o gotejar da torneira enferrujada

irritava o monstro sujo

que falava da imensidão dos sonhos

e desejava alguns dias,

alguns dias para as tardes de domingo

para que os fins de tarde terminassem

numa esplêndido clarão

recebendo o vento sinuoso dos finais dos dias

só para reclamar do frio ardil

sob os ladrilhos imundos aos quais se debruçava

e dormia feito criança,

ao acordar culpava a vida,

“essa vida corrupta e, tão justa com seus mortos”

e você não é esse suicídio que sua alma comete

todos dias ao meio dia

e pois existe um desespero em minha alma

que liberta meu espírito

enquanto me aprisiono nesse moinho

de todos os dias, inclusive nas tardes de um domingo chuvoso

esse não é um devaneio qualquer

é só meu luto, que guardo em todos os dias que ainda hão de vir!

Continue Lendo >>

14/08/2011

Sobre você

está queimando
como a brasa dormente
do cigarro que acabara de acender
e o seu sorriso tímido
de felicidade plena
e o toque bélico
de seus dedos afiados
o impávido colosso
que tomei por propriedade
pois não imaginava
que me vencerias
e meu cultivo
de sonhos impossíveis
como as manhãs
de cada treze de março
pois minhas escolhas
não me decepcionam mais
saudades castanhas
sondas obliquas
qualquer briga
o volume do som
a amplitude modulada de minha cabeça
teu nome sob meu dedo
e não sei por que
eu despenco
despenco em meus temores
que há muito eram júbilo
o que me mata
pode matar a nós dois
sob você
a lua
e seus telhados
uma TV ligada
canais sem sintonia
o calor que eu sentia
quando curava
o frio que sentias
e agora me diga
quantas são
as saudades
que devemos sentir?
Continue Lendo >>

13/08/2011

Invenção [para essa sexta - feira, em especial]

eu invento curas
para dores que não morrem

eu invento dias
para o tédio das tardes de domingo

eu invento cores
para plantas que morreram no quintal

eu invento paladares
em sua fenda solferina

eu invento o mar e a praia
numa Lajedão sucursal

eu invento céus rasos
quando deitado olhando o teto

eu invento uma razão
para o que é culpado

eu invento seu cheiro
quando a cama está vazia

eu invento comida
quando estou longe “da mesa”

eu invento alegrias
quando toca Cat Stevens

eu invento vôos
quando caio da cama às 5 da manhã

eu invento um temor
quando temo temer

eu invento os dias que passaram
quando penso nos dias que virão

eu invento uma janela aberta
e a rua infinita lá atrás

eu invento sua presença
quando a saudade puxa a cadeira e se senta
Continue Lendo >>